O promissor Ceará

Depois de 17 anos, o Ceará, enfim, voltou à elite do futebol brasileiro. E com estilo. Neste domingo, no Castelão, venceu o Fluminense, por 1 a 0, com um polêmico gol de pênalti convertido por Geraldo. Mesmo não jogando um futebol vistoso, o Ceará fio muito sólido, consistente na marcação e dinâmico no ataque. Aproveitou-se, diga-se de passagem, também, da expulsão de Cássio, que obrigou o Fluminense a ficar num 4-4-1, vulnerável na zaga formada por Digão e Gum.
O fato é que o Vozão pode, sim, surpreender neste ano. Com um técnico experiente, e profundo conhecedor do clube, a diretoria se empenhou na montagem da equipe e conseguiu construir um time bastante competitivo. A começar pelo goleiro Diego, que, apesar de ser um pouco inconstante, é seguro e tem bom reflexo. Os dois laterais, principalmente o direito, Diogo, ex-Sport e Corinthians, são muito insinuantes no ataque e possuem bom cruzamento.
Com dois volantes de muito boa pegada e marcação, PC Gusmão achou em Careca uma espécie de terceiro volante muito eficiente. Quando o adversário está com a bola, o camisa 18 volta para compôr o meio. Quando o ataque é do Ceará, Careca surge como um terceiro apoiador, entre Geraldo e Erick Flores, ajudando muito ofensivamente.
Geraldo e Erick Flores, canhoto e destro, respectivamente, são os grandes criadores de jogadas do Ceará. O primeiro cai mais pela esquerda e é mais técnico, experiente. Trabalha mais a bola e tem ótima visão de jogo. O segundo, jovem, é mais rápido, tenta mais o drible. Cai muito bem pelos lados. Ambos costumam se revezar pelos dois lados e ao lado de Misael. Ora um é segundo atacante, ora outro.
Contra o Fluminense, o Ceará foi praticamente perfeito na marcação. O bom volante Michel anulou Conca. Heleno, o mesmo volante experiente que já atuou por times como Sport e Santos, fazia boa partida, mas acabou expulso no fim. Senão fosse o vermelho, teria sido um dos destaques da equipe no jogo. O miolo de zaga, seguro, foi consistente durante todo o jogo e não deixou André Lima aparecer para fazer o pivô.
Outro ponto forte da equipe de PC Gusmão na vitória sobre o Tricolor foi a boa atuação do lateral Diogo, que se aproveitou das falhas de marcação de Júlio César. Além disos, importante também foi Careca, que flutuava na marcação tricolor, e livre, criava boas oportunidades. Diguinho, perdido no jogo, e errando muitos passes, contribuiu bastante também.
É com este time que o Ceará deve jogar o Brasileiro. Se chegarem reforços, melhor ainda. A verdade é que o time é, sim, promissor. Com uma base já montade e um time organizado taticamente e qualitativo individualmente, o Vozão pode surpreender e não será considerado zebra. Planejamento e trabalho não pode ser classificado como "zebra".